sexta-feira, janeiro 11, 2008

Azares e azares e azares... versão 2: Tornozelo Partido

Eu, a gaja que adora neve e que quer fazer scu e esqui nas próximas semanas, mas que também é uma azarenta de primeira...


No sábado, dia 29 de Dezembro, eram aí umas 17h e tal e estava um tempo frio, sem neve a avizinhar-se e o gelo nas ruas QUASE tinha derretido. Caminhava eu pela Calea Victoriei, justamente em frente à Stefanel e a escassos metros do Museu Nacional de Arte (não sabia eu disto antes), quando uns vampiritos resolvem fazer-me uma rasteira (devem ter sido eles, porque não vi mais ninguém ali perto) e caio sobre a minha perna esquerda, ouvindo dois clicks... Fo%$&%$%&$%&$.... &%&%$&$...%&&%#%$...&%&$%&$%$&&... Mas que &%&%$#$#%$& de dor... Por$%%#, lá escorreguei mais uma vez em cima desta perna (era já a terceira vez em 4 meses)... mas lá consigo levantar-me, Fo&%&$%&$%$%, passam uns romenos por mim e nenhuma ajuda (não praguejei alto, sei conter-me em som quando preciso), vejo um táxi do outro lado da rua, parado. Mas aquela era a Calea Victoriei e nada de me arriscar a atravessar a rua sem ter passadeira... Faço literalmente um U para alcançar o táxi e ele perceber, só depois de insistir algum tempo, que quero ir para outro sítio (Daaahhhh!!!).
Chego a casa e sento-me no fundo das minhas escadas, cansada de tanto pular e de tanta dor... tiro a bota... e só pensava &%$$#, porque é que vivemos num sítio onde não há elevador?!Enquanto pensava como iria subir as escadas, a nossa vizinha vê-me e pergunta em romeno se queria ajuda, eu digo nu, nu (não, não)... tentei dizer que ia telefonar às minhas colegas para me ajudarem... que foi o que fiz. A Gisela ainda tenta ajudar-me a levantar-me e a ir a pé-coxinho, mas a única forma foi ir de cu... e agora eram também os meus ombros a doer de tanto esforço. Mas lá consegui atingir o nosso sofá e deito-me para ali, com gelo no tornozelo... adormeço... a Luísa entretanto chega... quando acordo, as dores continuam... Não queria ir ao hospital, mas que remédio...
E lá foi o descer outra vez as escadas de cu, o meter-me no táxi e o taxista ficar lixado por só andar uns metros (o hospital das Urgências era ali ao lado)... foi o pular até à entrada, com umas paragens pelo meio para retomar o fôlego... e o passar a entrada, com lágrimas a escorrer com tanta dor... um enfermeiro passa e pergunta se queremos cadeira de rodas... Da, da, da (sim, sim, sim)... A Gisela foi fazer a inscrição enquanto a Luísa me ajudava a segurar... o enfermeiro aparece com a cadeira de rodas e pergunta ortopedia qualquer coisa e a Luísa diz que sim. Pega numa ficha vermelha, pergunta pelo passaporte que estava com a Gisela, e entrámos passados 5 segundos.
Entro no corredor, chego ao departamento de Ortopedia, estava lá mais gente, mas passo à frente deles e entro no gabinete (entrámos todos, eu na cadeira de rodas, o enfermeiro, a Gisela e a Luísa). Falam para mim em romeno e eu falo em inglês. Em 4 médicos que lá estavam apenas um falava inglês, por sinal o mais giro (e sinceramente até era bastante atraente... mas nada de um deus grego...)... O médico mais velho, que sabia muito pouco inglês, faz a minha inscrição... falam de Portugal... olham para o meu nome e dizem "Couto? Fernando Couto?"... e o médico giro pergunta quantos passos dei para saber como avaliar a situação e dá-me a optar: ou faz o diagnóstico à mano, ou era à raio-x... humm... difícil de escolher: claro que escolhia raio-x! Com tantas dores!...
A primeira vez a tirar raios-x: pelo menos foi rápido. A máquina estava ali ao lado! Voltei ao gabinete e ele deu-me duas notícias: uma má, que tinha partido o tornozelo (Fo%&$%&#$%, Fo%&$%&$, Fo%&$%&$%&), e uma boa, que fazia parte dos 10% de casos em que não era necessário ir à faca e poderia ser solucionado com uns empurrõezinhos (Aleluia! Fo&%$%&$%&!) Qual seria o melhor? Ir à faca ou os empurrões? Ainda por cima, o médico giro demonstrava ao médico mais velho como fazer esses empurrõezinhos, falando em romeno e à minha frente.
Vou para uma maca, onde o médico mais velho, o que tinha falado do Fernando Couto, começa a enrolar a minha perna com algodão. Pergunta-me de onde sou e fala então do Port Wine (porque é que todos falam disso? humm...) e mete ligadura... e o gesso a seguir, sem que me tenha feito alguma coisa ao tornozelo... de repente, quando toda a minha perna estava enrolada em gesso, fez os tais ditos empurrõezinhos... empurrõezinhos?!?!?... empurrõezinhos um ova! Uns valentes empurrões... Gritos e mais gritos... e os enfermeiros a dizerem-me "Relax, relax!" Relax?!?!? Fo%$%&$%&, Fo%&$%&$&, Fo&$&%$%&... e põem-me uma ligadura outra vez. Vou outra vez ao raio-x, a ver se ficou um trabalho bem feito, o que se confirma. Graças a Deus que não tenho de passar outra vez pelo mesmo (o que o meu irmão deve ter passado!)!
O médico giro diz que tenho de ficar com o gesso durante 6 semanas (tanto tempo! Ai a neve!...)e ir a consultas de controlo na 3ª e 6ª semanas, sendo que devia ir na 1ª semana se me magoasse demasiado a perna ou se os dedos ficassem azuis... depois ia dar-me analgésicos para 10 dias, mas que parasse ao fim de 3 dias e só tomasse quando realmente precisasse... Além disso, teria de ter a perna levantada... Quanto tempo perguntei eu? Ele "Sempre!" Saio de lá com um papel que funciona como receita, como atestado médico (não me passaram em inglês, próxima coisa a pedir na consulta de controlo) e com o diagnóstico para as consultas de controlo.
Fomos apanhar um táxi que acabava de deixar pessoal ali no hospital e o boi, que não tem outro nome, levou-nos 30 lei negociados previamente por um percurso que levaria 5 lei (ainda vos tenho de explicar isto dos táxis). Vamos à farmácia que fica ali a uns surpreendentes 200 metros e chegámos a casa. Mais uns saltitos, agora mais pesada uns quilinhos (por causa do gesso!), o subir as escadas outra vez de cu, agora com a Luísa a segurar o pé... e deitar-me no sofá, improvisar com toalhas e sacos-cama para pôr a perna levantada. Tomo o medicamento, como algo e tento dormir... e tinha assim acabado mais um dia de azar...

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